ESCOLAS RURAIS

A expedição catástrofe: por uma arqueologia da ignorância configura-se como uma experimentação para confrontar – no campo das relações intrínsecas entre estética e política – um dado abismal: o fechamento de 8 escolas públicas rurais por dia, ou 32,5 mil escolas fechadas entre 2003 e 2013. Este índice é flagrante dos engendramentos das políticas públicas no Brasil, que tem neutralizado processos de resistência à agenda neoliberal onde se atrelam capital, esvaziamento planejado da zona rural, urbanização irracional e desigual. Segundo Monica Castagna Molina, diretora do Centro Transdisciplinar de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural e coordenadora do Grupo de Trabalho de Apoio à Reforma Agrária da UnB:

“Quando falamos em educação, consideramos o campo com gente; quando o campo está tomado por monoculturas ou máquinas, não há espaço para escolas. Quem ganha com esse modelo de desenvolvimento agrícola? O agronegócio.”

O horizonte delineado por assimetrias tão agudas e dados absolutamente inconcebíveis, constitui o pretexto estético-político deste projeto. um processo criativo de caráter coletivo e colaborativo a partir da inquietação desencadeada por este levantamento estatístico. O interesse é instaurar outros regimes de visibilidade de natureza eminentemente estética, uma militância insurgente e arqueológica para evidenciar o quão esse índice é execrável. A ideia é expedicionar pelas ruínas de diversas escolas rurais dos 3 estados brasileiros onde as mesmas foram fechadas em maior número: Bahia, Minas Gerais e Goiás. Este conjunto de ruínas é admitido como um vasto parque arqueológico da educação e dos territórios rurais do Brasil.

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